sábado, 21 de agosto de 2010

As coisas estavam mudando...

As coisas pareciam tomar  seus lugares... e eu tinha conseguido escrever um lindo romance!!!! Um curta metragem, meu primeiro roteiro para cinema... Lembro que cada pagina que escrevi, derramei algumas lágrimas... nós escritores somos meio malucos, parece que gostamos de sofrer... a dor nos da inspiração!!! E escrever era tudo que eu precisava naquele momento. Precisava externar toda aquela mágoa, aquela dor, aquele aperto no peito... aquela sensação de vazio... aquela terrível sensação de estar sendo espremida num espremedor de frutas, e depois estar sendo triturada num triturador de carne... E com certeza eu conseguiria aliviar tudo aquilo escrevendo.  E então muita coisa começou a surgir... muitas idéias... E aos poucos, com a ajuda de minha psiquiatra, fui conseguindo parar de ter pena de tudo e de todos. Cada dia que passava eu acordava mais certa e convicta da decisão que havia tomado... a decisão de romper com os laços que me uniram durante tantos anos aquele homem. Eu casei por amor... tenho sempre que dizer isso... acho que preciso me lembrar o tempo inteiro que o amor é uma grande cilada... Que o amor é o pior e mais miserável de todos os sentimentos... Algo que te faz sofrer, chorar e descer todos os degraus do inferno não pode ser bom. Bom mesmo devia ser nunca amar... nunca  olhar nos olhos, nunca beijar na boca... nunca segurar a mão como se segura uma corda de salvação!!! Bom mesmo, era nunca ter conhecido o amor... (silêncio)  As vezes preciso parar... aquele velho engasgo me vem  novamente... Pronto!!! Quando comecei a escrever, eu tinha 8 anos de idade... e já escrevia sobre o amor. Escrevia lindas histórias sobre o amor incondicional.... e era lindo como colocava isso no papel com aquela letrinha tão mal desenhada... eu sempre fui muito carente... e comecei a externar isso muito cedo. Na concepção daquela criança... sofrida já, e epiletica  o amor era possível, era lindo... e todas as vezes, embora sofrido era correspondido!!! Era muita inocência... muita pureza de alma... só que ninguém entendia isso... e fui escrevendo, escrevendo para fugir de tanto medo, de tanta impot|ência de tantas perguntas sem respostas... eu era apenas uma criança que tentava com sua inocência melhorar o mundo em que vivia.... acho que precisava ser amada... precisava substituir o amor que me faltava....

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