quarta-feira, 18 de agosto de 2010
A minha imagem...
Mesmo sabendo que ter aquele corpo magrinho teria um preço alto pra pagar, resolvi pagar o preço até onde aguentasse... e assim foi, até o dia que se tornou impossível aguentar tanto sofrimento e tanta fome. Comecei a fazer um tratamento psiquiatrico, a base de remédios controlados... as famosas drogas da alegria... não tive como fugir... e entrei no processo. O tempo foi passando, passando e como o tempo é um balsámo, as coisas foram entre aspas melhorando. Naquele ano, era final de ano, eu passaria o primeiro natal e o primeiro ano novo sozinha, depois de 19 anos. Tenho a capacidade de me adaptar as situações com muita rapidez... às vezes tenho medo disso... é estranho! Comecei então a me preparar pra isso... e realmente eu consegui sobreviver aqueles dias terríveis, onde tudo parece lindo, as pessoas parecem mais humanas ( que hipocrisia) as mesas estão fartas... pelo menos para os ricos e para aqueles que são corajosos ou atrevidos... não para os carentes!!! A mesa delels nunca tem um peru, ou uvas, lentilhas.... salgadinhos, bolos e outra serie de coisas. Eles não abrem um champanhe na passagem do ano, e nem trocam presentes no natal. E nessa época eu me sentia assim, acho que queria era passar essas datas no meio de uma favela, ou na rua... isso seria mais real pra mim... mais não, passei sozinha... olhando da janela do apartamento que moro... é um bairro de suburbio... muito bom, as pessoas tem um poder aquisitivo razoavel... nada tão grandioso, mais também nada tão carente! Ela estava eu... eu e meus companheiros... um rádio... algumas latas de cerveja, uma carteira de cigarro e a minha dor... eu era a forma mais real da dor... Quando lembro disso, ainda tenho vontade de chorar... foi um teste muito filho da mãe... ficava olhando da janela, para aquele pintado de vermelho... (risos) Isso é outra história!!! E eu ficava olhando para o infinito... não conseguia pensar com racionalidade, tudo estava misturado na minha mente... eu pensava em tudo, ao mesmo tempo que não pensava em nada. As lágrimas insistiam em vir, e não consegui impedir... eu ria, eu chorava, eu pensava, e ao mesmo tempo conseguia pedir aos céus que olhassem por mim naquele momento e que me dessem um sono profundo... tão profundo que eu só acordasse uma semana depois.... mais isso não aconteceu... começou aí o meu sofrimento sem conseguir dormir.... fui pega de suspresa por uma insônia cruel!!!!
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O quarto vermelho, é o quarto de um apartamento que fica quase de frente ao meu... ele foi pintado de vermelho forte... e desde que cheguei aqui me questiono, o porque de alguém pintar um quarto de dormir de vermelho!!! (risos)
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